Em 31 de julho de 2026, a procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, e a governadora Kathy Hochul ajuizaram uma ação civil na Suprema Corte do condado de Nova York contra a KalshiEX, LLC — plataforma de mercados preditivos licenciada pela CFTC — pedindo pelo menos US$ 36 bilhões em danos, a devolução em triplo dos ganhos ilícitos, uma multa de US$ 100 mil por cada oferta de aposta não autorizada e o encerramento total das atividades da Kalshi no estado como jogo ilegal sem licença. A Kalshi contesta a competência estadual e invoca a federal preemption com base no Commodity Exchange Act.
Os mercados preditivos — plataformas em que os usuários negociam contratos de evento como «o candidato X vencerá a eleição» ou «a equipe Y vencerá a partida» — vivem um boom desde 2024, quando previram melhor que as pesquisas tradicionais a eleição presidencial dos EUA. A Kalshi se apresenta como uma bolsa de derivativos licenciada pela federal Commodity Futures Trading Commission (CFTC), e não como operadora de jogo. Os estados rebatem que, ao apostar dinheiro em um resultado incerto, o usuário faz uma aposta. Com a ação de sexta-feira, Nova York torna-se o quinto estado a contestar formalmente o status da Kalshi, depois de Nevada, Nova Jersey, Massachusetts e Maryland.
Vemos o pedido de US$ 36 bilhões não como ação de fiscalização de rotina, mas como uma escalada calibrada para gerar precedente. O total combina três componentes: devolução em triplo dos lucros da Kalshi em Nova York, multa de US$ 100 mil por cada oferta de aposta não autorizada e ressarcimento dos usuários prejudicados. Independentemente do que a corte vier a conceder, calcular a exposição nessa escala significa que a Procuradoria trata cada contrato em cada eleição e em cada evento esportivo como uma infração distinta à lei estadual de jogo de Nova York.
O segundo eixo é a idade. Segundo a petição, a Kalshi aceitou apostas de usuários entre 18 e 20 anos, enquanto a idade mínima para jogo em Nova York é 21 anos — exatamente o patamar pelo qual as casas de apostas esportivas licenciadas são multadas. A Kalshi também listou mercados envolvendo equipes universitárias do estado, algo expressamente vedado pela lei estadual a todos os bookmakers licenciados. A combinação «usuários menores de idade mais mercados universitários» dá à Procuradoria a base fática mais consistente e conecta o caso diretamente à lógica do reforço do KYC em cassinos e em plataformas de apostas.
A terceira frente é constitucional. A Kalshi invoca a federal preemption: se a CFTC a certificou como Designated Contract Market ao amparo do Commodity Exchange Act, os estados não poderiam regular separadamente os mesmos contratos como jogo. Os estados respondem que um contrato derivativo do tipo «o NY Giants vencerá no domingo?» não tem nenhuma característica de um contrato futuro sobre commodities — é uma aposta disfarçada de contrato. Acreditamos que é justamente este processo que chegará à Suprema Corte dos EUA e definirá o futuro de todo o setor de mercados preditivos.
Para jogadores europeus, brasileiros e ucranianos, a pergunta central não é quem vencerá nos tribunais dos EUA, mas que precedente esta ação cria para a próxima onda de bloqueios. Em julho de 2026, a ANJ na França e a ADM na Itália já bloquearam a Polymarket; outras jurisdições — GGL na Alemanha, Spelinspektionen na Suécia, KSA nos Países Baixos — acompanham de perto os casos americanos, e a consulta paralela da EU AMLA sobre obrigações antilavagem para o jogo segue a mesma direção. Na Ucrânia, a PlayCity bloqueou a Polymarket ainda em janeiro de 2026; uma decisão equivalente sobre a Kalshi é mais uma questão de tempo do que de precedente, especialmente diante da mais ampla avaliação da UKGC sobre riscos de lavagem.
O que exatamente Nova York protocolou contra a Kalshi em 31 de julho de 2026?
Em 31 de julho de 2026, a Procuradoria-Geral de Nova York protocolou na Suprema Corte do condado de Nova York uma ação civil contra a KalshiEX, LLC, pedindo à corte que suspenda suas operações, ordene pelo menos US$ 36 bilhões em danos — incluindo devolução em triplo dos lucros, multa de US$ 100 mil por cada oferta de aposta não autorizada e divulgação integral dos dados de clientes — e determine ressarcimento pleno. A ação foi coordenada com a governadora Kathy Hochul. Com isso, Nova York torna-se o quinto estado a contestar formalmente o status de mercado preditivo da Kalshi, depois de Nevada, Nova Jersey, Massachusetts e Maryland.
Por que a Kalshi é classificada como jogo ilegal no estado de Nova York?
Segundo a ação, a Kalshi oferece apostas em eventos futuros incertos — partidas esportivas, eleições presidenciais e eventos culturais — e cobra uma comissão vinculada ao resultado. Isso enquadra-se na definição de jogo do §225.00 do Código Penal do estado de Nova York. A Kalshi não obteve licença estadual de jogo nem recolheu impostos sobre jogo. Além disso, a plataforma aceitou apostas de pessoas de 18 a 20 anos (a idade mínima em Nova York é 21) e listou mercados sobre equipes universitárias do estado, práticas expressamente vedadas aos bookmakers licenciados.
Quem regula os mercados preditivos nos EUA: os estados ou o governo federal?
É exatamente este o conflito constitucional que torna o caso um marco. A Kalshi tem autorização da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) como Designated Contract Market para negociar derivativos e invoca a federal preemption ao amparo do Commodity Exchange Act. Os estados respondem que uma aposta sobre o vencedor de uma eleição ou de uma partida não é um contrato futuro sobre commodities e que a Décima Emenda da Constituição dos EUA deixa a regulação do jogo com os estados. O litígio deverá chegar à Suprema Corte dos EUA, e sua decisão definirá o futuro de todo o setor de mercados preditivos no país.
O que muda para jogadores no Brasil, na Europa e na Ucrânia?
Não há impacto jurídico direto sobre jogadores brasileiros, europeus ou ucranianos — a Kalshi está oficialmente indisponível na maior parte das jurisdições da UE e a PlayCity ucraniana bloqueou a plataforma ainda em janeiro de 2026. O precedente, porém, importa: se as cortes americanas decidirem que mercados preditivos são jogo, isso fortalecerá a posição dos reguladores europeus em seus próprios processos contra Polymarket e plataformas semelhantes e influenciará as próximas decisões de GGL, KSA e Spelinspektionen. Quem usa VPN para acessar mercados preditivos não licenciados corre o risco de ter saques bloqueados e perder qualquer proteção do consumidor. Como a Kalshi não é autorizada no Brasil pela SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), qualquer uso por residente brasileiro fica sem cobertura legal doméstica.
Em 4 de agosto de 2026, para jogadores do Brasil, da Ucrânia, da UE e do Reino Unido, o único caminho legal para mercados preditivos passa por uma plataforma licenciada pelo regulador da sua própria jurisdição. No Reino Unido, algumas casas licenciadas pela UKGC aceitam mercados de eventos políticos; na Itália, França e Alemanha, contratos online sobre eventos políticos são proibidos; na Ucrânia a supervisão cabe à PlayCity; no Brasil, a SPA autoriza apostas de quota fixa mas não classifica mercados preditivos como produto autorizado. Não use VPN para se cadastrar na Kalshi ou na Polymarket a partir de um IP brasileiro ou europeu: a plataforma pode congelar conta e saldo assim que detectar a divergência de geolocalização, e as mesmas regras práticas do guia para escolher um cassino online confiável valem para os mercados preditivos.
Prevemos que o caso Nova York contra Kalshi vai se estender por 12 a 24 meses, com provável ciclo de apelação nas cortes federais e, ao final, na Suprema Corte dos EUA. Independentemente da decisão final, a tendência de 2026 já é clara: reguladores nos EUA e na UE endurecem a posição de que «mercado preditivo é jogo» e exigem licença ou bloqueio. Jogar em cassino online, apostar em esportes e negociar em mercados preditivos são atividades para adultos (18+) e não são forma de renda; se sentir que o orçamento de jogo está saindo do controle, use GAMSTOP (Reino Unido), Cruks (Holanda), OASIS (Alemanha), RUA (Itália), Spelpaus (Suécia), o registro da ANJ (França), a autoexclusão da SPA (Brasil), ou procure a CVV pelo 188 ou grupos dos Jogadores Anônimos.

